Muitas pessoas perderam entes queridos, pessoas próximas, tem sido fácil notar o aumento na quantidade de pessoas em situação de rua, tem sido comum a circulação de vídeos de pessoas fazendo fila envolta de caminhões de lixo em busca de alimentos e ossos descartados pelos supermercados, mas mesmo assim existe uma lógica que é vinculada na internet como um todo de que tudo isso é muito comum, inerente à existência de uma comunidade humana, e por mais chocantes que essas coisas sejam, não parecem ter tanta importância na prática. Daí a necessidade de mostrar a realidade, incluí-la onde jamais deveria ter saído, principalmente num espaço onde a realidade não é tão quista, um espaço repleto de idealizações.
A fotografia acima foi feita no dia 22 de outubro de 2021, no centro do município de Francisco Morato, na região metropolitana de São Paulo.
Como objeto de interesse nosso grupo escolheu o bairro Americanópolis, que faz parte da área do Jabaquara na zona sul da cidade de São Paulo e que contribuiu para sua história nosso post contém um pouco da história da área em conjunto a depoimentos encontrados online e uma entrevista com a mãe de uma das integrantes que não quis aparecer em vídeo, mas pérmitiu a gravação de sua voz e a exposição de algumas fotos.
Um pouco da história do bairro
É dificil apontar exatamente como um bairro começou porém de acordo Waldemar Correa Stiel em seu livro “História dos Transportes Coletivos em São Paulo”, o bairro Americanópolis foi inaugurado no final de 1923 por conta de uma corrida de bicicletas que passaria pelo local e devido ao evento foi construída uma linha de bondes ligando o Jabaquara aquele novo bairro ele diz no livro que “Deve ter dado resultados satisfatórios, pois, seu proprietário, Sr. Afonso de O. Santos, estabeleceu um horário e colocou ônibus diários a partir de domingo, 10 de fevereiro de 1924: partidas de Americanópolis – 6h15min, 12h, 14h e 17h30min; partidas do Jabaquara – 6h40min, 12h40min, 14h40min e 18h”. Curiosamente onde essa linha de bondes conectou o bairro com áreas mais povoadas é onde hoje está situado o atual terminal de metro do Jabaquara.
Porém outro escritor, Levino Ponciano, em seu livro “História dos Bairros Paulistanos de A a Z” diz que boa parte dos terrenos na região era do casal João e Nilza, o que explicaria a origeme o nome, do bairro vizinho Vila Joaniza.
Você já ouviu falar do bairro de Artur Alvim, na Zona Leste de São Paulo? Esse bairro que está em constante crescimento, é um importante ponto na história do Estado.
Nomeado em homenagem ao engenheiro ferroviário Artur Alvim, o bairro- que anteriormente era um amontoado de chácaras chamado Santa Teresa- ganhou esse nome após a idealização e projeção da construção do Ramal de São Paulo da Estrada de Ferro, que ligaria a cidade de Barra do Piraí-RJ a cidade paulista; a primeira ferrovia do Estado!
Inaugurada em 19 de agosto de 1921, ela cruzava o bairro, e foi a partir dela que surgiu uma pequena vila, e também, motivo da construção da primeira escola municipal da região. Em 1978 foi inaugurado a Cohab I, conjunto habitacional formado por prédios e casas. O bairro infelizmente teve poucos investimentos em infraestrutura, até o ano de 1987, quando foi construída a Linha 3 vermelha do Metrô, que inaugurou a Estação Artur Alvim, e em 1994 foi assumida pela Companhia Paulista de trens Metropolitanos e funcionava de forma conjunta com a Estrada de Ferro; foi desativada em 2000, mas os trilhos e plataformas ainda permanecem no local.
Quer saber mais sobre o bairro, e ver o depoimento de moradora sobre as memórias que tem dele dos ultímos 30 anos? Acesse https://coesaotrad.blogspot.com/
O Bosque da Saúde é um bairro de classe média alta localizado na zona sul de São Paulo, entre os bairros Saúde, Jardim da Saúde, Vila da Saúde, Praça da Árvore e Vila do Bosque. Para chegar ao bairro residencial e comercial que conhecemos hoje, o Bosque passou por muitas mudanças que são consideradas importantes para o avanço da nossa capital.
No século XIX, era apenas um ponto de parada para tropeiros, que encontraram uma enorme cruz no local, batizaram então o bosque de Cruz das Almas, onde acendiam velas em homenagem aos mortos, imortalizando a relação do bairro com a religiosidade. Em 1910 foi construído no local a Igreja Nossa Senhora da Saúde, que deu o nome a região que conhecemos hoje. A construção da ferrovia em 1886, interligou São Paulo a Santo Amaro, importante feito que deu destaque para o bairro. Apesar de ter crescido consideravelmente com o tempo, o bairro ainda é uma opção para piqueniques e atividades ao ar livre, considerando a grande área arbórea que o Bosque possui.
Para fazer uso de um símbolo, a Escola Estadual Princesa Isabel foi o principal expoente para recuperarmos a memória do bairro e a sua identidade. No nosso blog você encontra fotos e documentos antigos que coletamos sobre o bairro e a escola: https://bachareladoaps.wixsite.com/website
Nesta pesquisa entrevistamos moradores da Vila Matilde para fazer um resgate da memória. Inicialmente, a Praça da Toco era chamada de Praça da Conquista. Localizada na Vila Matilde, a praça resiste desde a inauguração da estação de trem em 1921. Sendo a região, majoritariamente chácaras e fazendas de café, até a construção da estação tinha apenas uma estrada para conectar com o centro de São Paulo e com o bairro da Penha.
Em 1979, o bairro contava com pouca estrutura, bailes ocorriam nas ruas, então um grupo de jovens que organizavam as reuniões construíram um salão de festas chamado de Toco, localizado na Praça da Conquista, no antigo prédio do Cine São João. E durante muitos anos o salão recebia mais de 4 mil pessoas por noite aos finais de semana. Com a lotação da casa, muitos jovens se concentravam na praça, passando então a ser chamada de Praça da Toco.
O local não era apenas movimentado a durante a noite, pela manhã a comunidade fazia uso para jogar dominós, por exemplo. Em 1997, as discotecas já não faziam tanto sucesso, a cidade havia se expandido, concorrência fora criada, então o salão decidiu pelo fechamento.
Atualmente quando se fala da Praça da Conquista as pessoas não reconhecem, mas ao falarmos Praça da Toco imediatamente temos uma reação, inclusive de pessoas que não são moradoras do bairro Vila Matilde.
O bairro de São Miguel Paulista é um dos mais antigos da cidade de São Paulo, fundado em meados de 1560. Antes de se tornar um bairro famoso, São Miguel Paulista era considerado uma aldeia chamada de Ururaí, este nome foi dado pelos índios da etnia Guaianaz que ali habitavam na época, referência esta, que foi feita ao Rio Tietê. O grupo de indígenas Guaianaz vieram fugidos da Vila de São Paulo de Piratininga e foram encontrados pelo Padre José de Anchieta, que mais tarde construiu uma capela para marcar a presença cristã na aldeia e dar sequência a catequização dos índios. A capela inicialmente se chamava Capela dos Índios, depois passou a se chamar Capela de São Miguel Arcanjo, nome de seu arcanjo de devoção. Devido a importância histórica, a capela passou a ser considerada um Patrimônio Histórico Nacional em 1938 e está localizada na Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, que atualmente é conhecida como Praça do Forró devido a muitos shows ocorridos nas últimas décadas e de Manifestações do Movimento Popular de Arte de São Miguel Paulista.
Após a construção da capela, o bairro começou a crescer e uma das principais atividades a contribuir com esse crescimento foi a Companhia Nitro Química Brasileira, do Grupo Votorantim desde 1937, gerando uma grande migração para o bairro, principalmente de nordestinos a procura de emprego. Além dos nordestinos e dos índios, o bairro também se tornou a moradia de diversos imigrantes, como os europeus e asiáticos, destacando-se pelas comunidades árabe, japonesa e portuguesa. Todas essas culturas contribuíram com o desenvolvimento do bairro, trazendo suas tradições e culturas que podem ser notadas através das danças, no jeito de se vestir, na culinária, nos relacionamentos sociais e na forma de lidar com a espiritualidade.
O bairro atualmente conta com redes de serviços públicos e privados, além de escolas, hospitais, comércio e indústrias variadas.
“Antes de ser um bairro de São Paulo, Santo Amaro teve aldeia indígena, recebeu uma ocupação jesuítica, abrigou uma colônia alemã e chegou ao status de cidade, da qual também faziam parte os atuais bairros de Campo Belo e Campo Grande.
As terras da região foram doadas pela Coroa Portuguesa aos jesuítas, que formaram ali uma vila por volta de 1560. Mas a vila passaria a ter maior atenção a partir de 1609, com a formação da sociedade Fábrica de Ferro para extrair o minério das margens do rio Pinheiros. No século 19, Santo Amaro recebeu a primeira colônia estrangeira do Brasil. Imigrantes alemães foram assentados na região como parte de uma estratégia para povoamento e ocupação dessa região. A decisão impulsionou o desenvolvimento da localidade, que pouco depois, em 1832, tornou-se uma vila e município separado de São Paulo.
Inicialmente, Santo Amaro produzia suprimentos para a capital. Em 1886, o município foi conectado ao bairro de Vila Mariana por meio por uma ferrovia que transportava produtos agrícolas, carvão e madeira. Esta linha férrea existiu até 1913, quando foi substituída pelos bondes da Light.
Desta época, restaram alguns imóveis, como a Catedral de Santo Amaro, cuja construção atual é do início do século 20, e o Antigo Mercado Municipal de Santo Amaro (atual Casa de Cultura de Santo Amaro “Manoel Cardoso de Mendonça”), de 1897, ponto de venda dos produtos locais e lugar onde tropeiros e artesãos trocavam manufaturas por produtos agrícolas. ”
O bairro da Aclimação, localizado na região central da cidade, nasceu por conta de um sonho. Mais precisamente do cirurgião e político Carlos Botelho, que queria replicar em São Paulo um parque francês, o Jardin d’Acclimatation. Para isso, comprou o sítio Tapanhoin e fundou, em 1892, o bosque que hoje é conhecido como parque da Aclimação. Na época de sua inauguração, o local virou um dos pontos turísticos mais disputados da cidade e era divido em duas partes: na maior ficavam as diversões, como o salão de baile, o ringue de patinação e as barracas de tiro ao alvo, o bosque com o lago e o estábulo de gado; na outra estava instalado o zoológico, o primeiro da cidade.
Como havia apenas um parque na cidade de São Paulo, o da Luz, a inauguração do segundo parque causou um alvoroço, como conta o livro “Jardim da Acclimação – O Primeiro Zoológico de São Paulo: O Sonho de Carlos Botelho” (Sesi-SP, 136 págs., R$ 80), escrito pelo bisneto do idealizador, Antonio Carlos Botelho Souza Aranha, 73.
Um anúncio veiculado nos bondes na década de 1920, dizia:”Quereis a saúde e alegria de vossas crianças? Levai-as a passar a tarde no Jardim da Acclimação”, o que incluía imagens e descrições de animais, como camelos, peixes-elétricos, hienas, onça, lhama e elefante e , pasmen, até um urso polar, chamado de Maurício – cuja jaula era resfriada com barras de gelo que vinham da fábrica da cervejaria Antarctica, situada na avenida Paulista. Além do zoológico, a área verde abrigava a primeira leiteria da cidade, um posto botânico e a sede da Sociedade Hípica Paulista.
Imagem historica de elefantes banhando-se no lago da Aclimacao, reproduzida do livro Jardim da Aclimacao e o Zoologico. Livro conta historia do criador do Parque da Aclimacao, o medico, agricultor e polÃtico, Carlos Botelho idealizou o local em 1892. Credito: Reproducao ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
O parque era repleto de árvores frondosas, que circundavam o lago em toda sua extensão, por uma distância de dois quilômetros. Esse lago, que está lá até hoje, foi formado a partir do represamento de córregos da região, no qual haviam canoas para passeios.
A urbanização do bairro se deu por volta de 1916 e várias ruas começaram a ser abertas, recebendo cada uma o nome de pedras preciosas, como Turmalina, Topázio, Diamante, Ágata, Safira, Esmeralda, Rubi, e outras receberam nomes dos planetas do sistema solar como Júpiter, Urano e Saturno.
Após 45 anos, os herdeiros da família Botelho vendeu o terreno à prefeitura em 1938, por conta de dificuldades financeiras. Mas o parque passou a receber melhorias só a partir dos anos 1950, quando a área ganhou uma biblioteca, uma Concha Acústica, um playground e um campo de futebol.
A partir de 1970, a expansão imobiliária fez surgir muitos edifícios, marcando a verticalização do bairro, o aumento da população e o consequente crescimento do comércio. No decorrer da década de 1980, a associação dos moradores do bairro e dos defensores do parque, juntamente com entidades ecológicas, mobilizaram-se e conseguiram o tombamento do Parque da Aclimação, feito pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico.
VOZ DE UMA MORADORA – ACLIMAÇÃO ONTEM E HOJE
A professora aposentada Sueli Berla Simões, 73 anos, mora no bairro desde os 4 anos de idade. Ao longo dos anos criou uma relação afetiva com o bairro e presenciou as principais mudanças. Quando se mudou, as ruas eram de terra e havia poucas casas na rua onde mora até hoje. Uma das avenidas do bairro, a av. Engenheiro Luís Gomes Cardim Sangirardi, que hoje abriga uma grande feira às sextas-feiras, foi o local de uma grande chácara de flores, onde Sueli frequentava com a família para passear, comprar flores e pegar frutas das árvores.
Ela ia para a escola de ônibus junto com várias crianças da rua e não havia perigo nenhum. Conhecia o cobrador pelo nome e ia sem a companhia de um adulto. Violência não era uma preocupação naquela época. Brincava na rua o dia inteiro e conhecia todas as crianças vizinhas. A porta da garagem estava sempre aberta para o entra sai das crianças e de seus quatro irmãos. Na adolescência frequentava a igreja Paróquia Nossa Senhora do Carmo juntamente com os amigos, que segundo ela, era um local ótimo, para conhecer rapazes bonitos e de boa família.
Na infância e adolescência, Sueli não frequentava o parque da Aclimação. Isso porque seu pai não a deixava visitar o local, que tinha mato alto e era pouco conservado. Quando o parque foi revitalizado na década de 70, ela começou a frequentar o local e a levar os filhos para passear. Para ela e os moradores, o bairro sempre teve cara de interior, por conta de sua tranquilidade e por ser recheado de comércios pequenos, como sapataria, costureira, chaveiro loja de consertos, entre outros. No entanto, nos últimos 15 anos, o bairro tem perdido a sua tranquilidade por conta da expansão imobiliária que vem gerando um crescente congestionamento até para sair do bairro. Mesmo assim, Sueli ama o local, que por sua vez, faz parte de sua identidade, e não sai do bairro por nada nesse mundo”.
Para conhecermos melhor sobre a história do bairro de Americanópolis entrevistamos os moradores Antônio de Souza, de 86 anos, e sua esposa Dionízia Conceição de Souza, de 84 anos. Ambos nasceram na cidade de Inhambupe, na região sul da Bahia, e contam como eram as condições na cidade onde nasceram, sua viagem até São Paulo, os lugares e empregos que tiveram aqui e depois como foi a descoberta dos primeiros lotes de Americanópolis nos anos 1960, descrevendo as condições do bairro naquela época.
Tem como objetivo mostrar a representação social da cidade, com depoimentos de moradores antigos da Região escolhida, e através desses depoimentos e coletas de materiais – fotos, vídeos antigos – mostrar a transformação do bairro e a ressignificação por meio das “Vozes da Globalização” segundo (Faircloug 2006).E através das vozes dos moradores entender as transformações econômicas, políticas e culturais dos bairros, apresentando a pesquisa com base na semiótica social. O Bairro escolhido foi o Bairro de Utinga, em Santo André. Os Moradores Marcio Ferreira, e Chicão do Bar numa entrevista carregada de saudosismo, humor, e contação de histórias, fez as apresentações do Charmoso Bairro de Utinga.
A palavra Utinga é de origem tupi e significa “água branca”.
Localizado às margens do Rio Tamanduateí, Utinga foi formado por imigrantes espanhóis, portugueses e italianos, além de migrantes do interior do Estado de São Paulo, do Rio Grande do Sul e da Região Nordeste do Brasil.
Do ponto de vista industrial, o distrito de Utinga desenvolveu seu potencial durante os anos 1940 a 1970 com a Swift, frigorífico que empregou grande parte de sua população. Hoje em seu lugar, existe um condomínio residencial. O distrito de Utinga tentou por três vezes emancipar-se em relação a Santo André, a primeira delas nos anos 40, e a última na década de 80.
O centro comercial do bairro concentra-se na avenida Utinga, onde se encontram diversos comércios de auto peças, antiguidades, materiais de construção, lojas de artesanato, entre outros. Nesta rua está situado o Parque Antonio Pezzolo (Chácara Pignatari) e nas proximidades a Central Regional Alimentos de Santo André – CRAISA e o maior Sacolão da cidade.
Figura 1 – Bairro de Utinga
Fonte: Vista de Utinga, bairro da grande São Paulo.
Depoimento com Morador
Em entrevista o morador do Bairro de Utinga, Santo André, Marcio Ferreira, 40, conta sobre sua infância e as histórias do seu bairro. Ele relembra brincadeiras: como empinar pipa, carrinho de rolimã, futebol e até mesmo brincavam no cemitério. Relembra que mesmo com a diferença social, não diferia um do outro na alegria de partilhar a vida com as brincadeiras.
O respeito mútuo dos mais velhos pelas crianças, o cuidado, e o partilhar da amizade sem esperar nada em troca entre a vizinhança foi algo marcante para Marcio.
Figura 2 – Marcio, Morador do bairro
Entretenimentos e Cultura
A pergunta sobre o que havia no Bairro antes e agora, fez com que Marcio relembrasse da Quermesse na Alameda México, que era um evento que movimentava a Região. Ele conta que era tão extraordinário que para os moradores era como se fosse “A Disney” com um Parque de Diversão e Roda Gigante. Ele relembra que no final do ano as moças ensaiavam de biquinis e maiôs para celebrar a chegada do verão, e tudo era muita festa e alegria.
O Teatro Conchita de Moraes, na Praça Rui Barbosa Sn, criado pelo Governo em 1959, realizava shows gratuitos para os moradores mais humildes, com Festival de Teatro Amador. Nos anos 80, o Conchita de Moraes abrigou festivais e mostras de teatro da cidade e região, além de espetáculos independentes. Porém, o teatro está fechado e sem prazo para ser reaberto.
Figura 3 – Teatro Conchita de Moraes
Fonte: Utinguense – Utinga histórias e memórias
O Parque Pignatari
A Chácara Pignatari possui uma área densamente arborizada com playground, área para caminhada, brinquedoteca, quadras para prática de esportes e atividades físicas, campo de malha, vestiários e sanitários, e a Escola Livre de Cinema e Vídeo (ELCV). O local também é utilizado para eventos da Secretária de Cultura. Os moradores antigos se reuniam a tarde no Parque, e Marcio considera um Patrimônio de Utinga, pois até hoje é o principal ponto de entretenimento de jovens, adultos, crianças e idosos.
Figuras 4 e 5 – Parque Pignatari
Marcio define Utinga como uma lenda tão charmosa quanto Paranapiacaba. Nas escolas tinham anfiteatro e eles assistiam filmes, também faziam cursinhos, e agora já não há mais.
Quanto ao acolhimento das pessoas, diz que os moradores são acolhedores. Apesar dos problemas, o poder aquisitivo do Bairro melhorou, com presença de duas Universidades, sendo uma delas Federal, muitas pessoas migraram para região. Uma grande rede de Fast Food também está se instalando no bairro, e tudo isso
gera oportunidades de trabalho, transformando o padrão de vida dos moradores, encarecendo aluguéis, e dificultando a vida dos trabalhadores com baixa renda.
Utinga mantém o perfil de uma Cidade do Interior, todos se conhecem. A história de um é a história de todos, e a história de todas viram várias lendas nos grupos que se espalham pelas redes sociais. A peculiaridade de Utinga é que desde o tio da banca de Jornal aos tios dos pequenos bares, todos são ponto de referência local, e de amizade. Há no Bairro de Utinga uma quantidade grande de pequenos Bares e Igrejas.
Memórias Engraçadas
Marcio relembra de histórias engraçadas entre as crianças e conta com muita gargalhada sobre a Personagem do “Velho Cagão”, que era um morador de rua, que sem nenhum pudor demarcava território, e isso causava furor e bagunça entre as crianças. Entre outros Izildinha também foi uma personagem icônica na vida das crianças da época.
Outras histórias de superações foram narradas por Marcio, que demonstrou estar bastante emocionado ao dar a entrevista e trazer a memória fatos que marcaram a sua vida.
Marcio faz parte das Vozes da Cidade, que continua enfrentando a vida difícil, desejando o futuro melhor para a Região, contribuindo com o amor ao próximo, compartilhando amizade, distribuindo alegria e sorrisos, e contribuindo para a nossa pesquisa sobre a globalização e a diversificação do ser, ter, e do crescer da região que cada um pertence.
Figura 6 – Pesqueiro
Depoimento 2 Chicão do Bar
O Paraibano, Sr Chicão, 73 anos, é morador e comerciante no bairro de Utinga desde 1974, e fala sobre a formação do Bairro com imigrantes italianos, espanhóis, portugueses, e claro que não pode faltar, os nordestinos assim como ele.
Figura 7 – Chicão, a lenda.
Chicão conta que o bairro passou por várias transformações e muitas etapas. As grandes montadoras automobilísticas se instalaram nos Municípios do Grande ABC, e Utinga era um bairro mais residencial de muitos operários que trabalhavam nas fábricas da Regiões.
O bairro começou nesse formato, com casas, muitas mercearias e bares, e assim foi crescendo. Senhor Chicão diz que a chegada do Progresso fez modificações nos Municípios vizinhos, e as grandes fábricas, fecharam ou migraram para outras cidades, porém o bairro de Utinga continua mais residencial, e os comércios que tem atualmente são das grandes lojas. Restando poucos comércios como o seu, e que continua com o formato original sem nem tirar um prego do lugar, disse ele. O hábito de vender pela caderneta já não existe com frequência, somente à clientes muito antigo ainda coloca no famoso sistema de décadas, a caderneta.
O Sr Chicão também relembrou o tempo da Quermesse, que todos os moradores participavam, as crianças passavam com muita alegria na frente de seu bar, porque era um Evento muito aguardado pelos moradores do bairro para se confraternizar. Ele lamenta que o Progresso levou embora essa festa que não acontece mais.
O morador também fala da diferença dos jovens e crianças da época, e da atualidade, com o advento da internet e redes sociais, sobre a socialização e diversão que se distanciaram, e mudou a forma de tratamento com as pessoas.
A segurança para Chicão também é um problema que acontece com frequência no Bairro de Utinga, mas ainda ele indicaria a quem deseja morar nesse bairro dentro da cidade grande com perfil de cidade do interior.
Apesar dos problemas da região, e vivendo 47 anos no mesmo lugar, Chicão diz que é muito bom morar e usufruir do ambiente simples e aconchegante que o bairro de Utinga oferece aos seus moradores, ele se considere um “bairrista” por gostar do formato familiar e amigável de Utinga.
Figura 8 – Bar do Chicão
Considerações finais
Rememorar Histórias do Bairro de Utinga com dois moradores, de diferentes idades, depoimentos com a vivência de cada um, mostrando o prisma da vida e suas transformações, os desejos, as vontades, com um olhar para o passado, mas com esperanças para um futuro, nos ensinam que as “Vozes da Cidade” ecoam para a renovação das mentes, marcando a história de que a vida é uma Arte e através da Cultura, do conhecimento de Mundo, do respeito pela diversidade, e o registro das imagens, da escrita, e de qualquer sentimento que identifique o ser humano, alguém vai escrever.
E nós do curso de Letras tivemos o privilégio de escrever sobre isso, com duas personalidades do Bairro de Utinga, o morador Marcio Ferreira, ex morador de rua, e o Chicão do Bar.
Referências
Origem e história do bairro de Utinga. Teatro Conchita de morais, Parque Pignatari, entre outros assuntos referentes ao bairro: Disponível em:www.2.santoandre.sp.gov.br.